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Empreendimento de luxo em praia de Florianópolis vira 'pesadelo', gera prejuízos e vai parar na Justiça

Obra parada e pessoas com prejuízos O sonho de integrar a sociedade de um complexo luxuoso com hotel e shopping em frente ao mar de uma das praias mais requisi...

Empreendimento de luxo em praia de Florianópolis vira 'pesadelo', gera prejuízos e vai parar na Justiça
Empreendimento de luxo em praia de Florianópolis vira 'pesadelo', gera prejuízos e vai parar na Justiça (Foto: Reprodução)

Obra parada e pessoas com prejuízos O sonho de integrar a sociedade de um complexo luxuoso com hotel e shopping em frente ao mar de uma das praias mais requisitadas de Florianópolis se transformou em dor de cabeça e disputa judicial para centenas de investidores. A grande quantidade de acionamentos judiciais levaram o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) a instaurar uma notícia de fato para apurar o atraso na entrega da obra do empreendimento na Praia dos Ingleses. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Aprovado em 2017, o projeto idealizado para ocupar um quarteirão inteiro em uma das regiões mais visitadas e procuradas de Florianópolis está com as obras paralisadas, acumula centenas de processos na Justiça e segue com o alvará de construção vencido na prefeitura. 👉 A proposta do projeto combinava o modelo de cooperativa (envolvendo proprietários dos terrenos, fornecedores e cerca de 140 cooperados) com a venda de cotas compartilhadas (formato em que o comprador adquire o direito de uso do imóvel em períodos definidos do ano, sem ter a titularidade da propriedade). A JC Compra e Venda de Imóveis, uma das responsáveis pelo empreendimento, diz que negocia com uma nova empresa investidora a entrada no negócio para viabilizar a retomada das obras. Sobre as pendências, justificou falta de investimentos após a pandemia e problemas com um fundo de investimentos. 🔍 A notícia de fato é: o registro inicial de qualquer demanda, denúncia ou representação encaminhada ao MP e atua como um "termômetro" ou um procedimento preliminar onde os procuradores avaliam se a denúncia tem fundamento, se envolve interesse público e se é de competência da instituição. Após a apreciação, pode haver andamento do procedimento, arquivamento ou abertura de inquérito. Local deveria ser um complexo luxuoso com hotel e shopping fica em frente à Praia dos Ingleses Morgana Fernandes/NSC TV Compradores alegam prejuízos de até R$ 200 mil Essa modalidade atraiu compradores de diversas regiões do país, entre eles Flávio Marcelino e a esposa em 2022. O casal investiria ao todo cerca de R$ 44 mil cada em duas cotas. O casal quitou pouco mais de R$ 10 mil antes de interromper os pagamentos, ao constatar que os trabalhos na obra estavam parados e que não conseguiam mais contato com os responsáveis. "Ia ser um shopping e de frente para o mar. Eles falaram que ia ter um retorno maior ainda, uma valorização maior depois do alargamento da praia. Não tinha mais ninguém trabalhando. A gente correu atrás, entramos com uma ação para tentar reverter isso, mas até agora sem resposta. Não tem mais nada no nome deles, todos os bens foram removidos e é um prejuízo enorme para todo mundo que investiu", relata Marcelino. O contrato do casal previa a entrega do empreendimento para outubro de 2022, estipulando também a cláusula de tolerância de até 180 dias corridos a partir da data prevista para a conclusão. A frustração é compartilhada por compradores de outros estados que conheceram a proposta durante passeios pelo local. O empresário gaúcho Otávio Borba comprou três cotas no final de 2021 e investiu mais de R$ 21 mil antes de suspender as parcelas. "Eu nunca tinha ouvido falar em morada compartilhada. Achamos que era um investimento legal e até hoje nós não tivemos retorno nenhum mais", reclama. Já a professora Janaína de Sousa Alves, moradora de São Paulo, relata perdas ainda maiores. Ela adquiriu cinco cotas em 2020, que somam quase R$ 200 mil. "Foram R$ 200 mil que nós perdemos. Florianópolis é uma cidade muito atrativa. Uma das coisas que a gente nem pensou foi: 'Ah, é uma coisa que não vai dar certo.' A gente nunca pensou nisso. Até por ser uma cidade turística, atrativa e o local bonito, acabamos acreditando", diz. Compradores relatam prejuízo com empreendimento de luxo de Florianópolis NSC TV/Reprodução Disputa judicial e registros de queixas Diante do abandono da obra, os relatos de prejuízo se multiplicaram nas redes sociais e em fóruns de consumidores. Em consulta ao Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), a empresa JC Compra e Venda de Imóveis Ltda (uma das cooperadas) e a JC Compra e Venda de Imóveis SCP Centrinho dos Ingleses (dona de parte da obra) somam quase 800 ações judiciais em primeiro e segundo graus, figurando como réus na maior parte dos processos. Além das ações judiciais e dos grupos on-line formados por lesados para trocar informações, há dezenas de registros em plataformas de reclamações na internet. No Procon de Florianópolis, constam 11 processos abertos contra os responsáveis pelo projeto. O que dizem os responsáveis Procurado para esclarecer os motivos da interrupção das obras e a situação dos clientes, Júlio De David, sócio proprietário da JC Compra e Venda de Imóveis, justifica que as dificuldades financeiras começaram há quatro anos. "A obra sofreu um problema de falta de recurso pós-pandemia e tudo mais. Não conseguia mais vender, houve um problema de venda e a obra teve que ser parada. Ela tinha também um fundo de São Paulo que investia no momento, que passou por uma certa dificuldade. Nós imaginávamos na época que a obra ia ficar parada por uns 90 dias, mas o que acabou acontecendo é que, nesse tempo, algumas pessoas entraram na Justiça, o que atrapalhou todo o processo", alega De David. Segundo o empresário, o plantão de vendas e as portas do empreendimento foram fechados definitivamente em junho de 2023, momento em que a empresa passou a buscar novos investidores no mercado. Promessa de restruturação e ressarcimento A direção da JC Compra e Venda de Imóveis afirma que negocia com uma nova empresa investidora a entrada no negócio para viabilizar a retomada do canteiro. A proposta prevê alterar a estrutura jurídica do empreendimento: o modelo atual de cooperativa deixará de existir para dar lugar a uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) incorporada, sob nova gestão. Segundo De David, cerca de 99% do pacote de acordo para essa transição já está alinhado, e uma assembleia com os cooperados deve ocorrer nas próximas semanas para definir o cronograma oficial de pagamentos e reinício dos trabalhos. "Todas as pessoas que compraram alguma cota ou direito de uso fazem parte deste pacote de negociações, porque todos serão ressarcidos. E aqueles que desejarem continuar terão a opção de continuar, claro que nesse novo modelo de negócio. O jurídico acompanha desde o início, monitorou todos e já está entrando em contato. Muitos distratos e pagamentos já foram feitos", defende o sócio. A construtora orientou que investidores que buscam o ressarcimento de valores ou esclarecimentos entrem em contato diretamente pelo e-mail centrinho@jccompraevenda.com. Segundo a empresa, cada caso será tratado individualmente. Obras de empreendimento na Praia dos Ingleses foram paralisadas em 2023 NSC TV/Reprodução VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias