cover
Tocando Agora:

Justiça arquiva investigações da morte do cão Orelha após pedido do Ministério Público

Justiça arquiva investigações da morte do cão Orelha após pedido do Ministério Público O Tribunal de Justiça de Santa Catarina decidiu pelo arquivamento...

Justiça arquiva investigações da morte do cão Orelha após pedido do Ministério Público
Justiça arquiva investigações da morte do cão Orelha após pedido do Ministério Público (Foto: Reprodução)

Justiça arquiva investigações da morte do cão Orelha após pedido do Ministério Público O Tribunal de Justiça de Santa Catarina decidiu pelo arquivamento total das investigações relacionadas à morte do cão Orelha na Praia Brava, área turística de Florianópolis, ocorrida em 4 de janeiro deste ano, após pedido do Ministério Público. A decisão assinada no final da quinta-feira (14) pela juíza Vanessa Bonetti Haupenthal, da Vara da Infância, entendeu não haver elementos suficientes para comprovar os atos infracionais investigados. ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp De 'provas de embrulhar o estômago' à ausência de culpados: as contradições que levaram ao arquivamento do caso MP aponta impacto de fake news e manda investigar atuação policial e viés político No início da semana, o MPSC encaminhou à juíza um relatório de 170 páginas alegando falta de provas. O órgão concluiu que a investigação conduzida pela Polícia Civil foi baseada em relatos de “ouvi dizer” e que os adolescentes investigados não estiveram junto ao animal no local das supostas agressões. "Verificou‑se que, nos instantes em que o adolescente esteve nas imediações do deck, o cão se encontrava a cerca de 600 metros de distância. Dessa forma, não se sustenta a tese de que ambos tenham compartilhado o mesmo espaço por aproximadamente 40 minutos, como afirmado nos relatórios policiais",disse o MPSC. Ainda o MP, a apuração foi marcada por contradições, inconsistências na linha do tempo e ausência de evidências concretas. As provas periciais também afastam a hipótese de agressão humana e que o animal morreu possivelmente em decorrencia de infecção óssea grave e crônica na região da mandíbula. Sobre o arquivamento, a Polícia Civil disse em nota que "concluiu as investigações relacionadas ao caso e realizou, oportunamente, a divulgação oficial das medidas adotadas no âmbito do inquérito policial". ➡️ Com o arquivamento do caso, a Justiça determinou a retirada das restrições de viagem do adolescente investigado e ordenou que a Polícia Federal devolva o passaporte apreendido. A juíza também negou o pedido de internação provisória dele. Cão Orelha morava na Praia Brava Reprodução/Redes sociais O relatório do MPSC também afirma que a perícia da Polícia Científica confirmou falhas na análise inicial, com diferença de horários nas imagens usadas na investigação. Segundo o Ministério Público, não há registros que comprovem a presença do cão na orla da Praia Brava e a reavaliação feita por um grupo de trabalho confirmou essas inconsistências. Com a correção da cronologia, o MP concluiu que não se sustenta a versão de que o adolescente apontado como responsável pela agressão e cão estiveram juntos na praia. Polícia se baseou em boatos e comentários de terceiros, diz MP O órgão também destacou que não há imagens ou testemunhas que comprovem a presença do cão na faixa de areia no horário apontado pela investigação. Segundo as Promotorias, a versão da agressão surgiu a partir de boatos, comentários de terceiros e conteúdos publicados nas redes sociais, com relatos baseados em expressões como “ouvi dizer” e “vi nas redes sociais”. Polícia diz que vídeo divulgado era 'meramente ilustrativo' Menina em vídeo com adolescente no dia das agressões a cão 'não viu ataque', diz polícia O MP ainda citou as imagens divulgadas pela defesa do adolescente apontado como responsável pelas agressões ao cão comunitário Orelha, que mostra o animal caminhando pela vizinhança por volta das 7h do dia 4 de janeiro. Esse horário seria posterior ao período indicado pela Polícia Civil como o provável momento da agressão, estimado em 5h30. "A constatação, pelas imagens analisadas na perícia, de que o cão mantinha plena capacidade motora e padrão de deslocamento normal quase uma hora após o horário em que a investigação presume a ocorrência do ato da suposta agressão, afastou a tese de que ele teria retornado da praia já debilitado por 'agressões' recentes", disse o MP. Cão Orelha caminha na rua às 7h de 4 de janeiro Reprodução Exclusivo: Caso Orelha O laudo pericial Além disso, laudos periciais indicaram que o animal não apresentava fraturas ou lesões compatíveis com maus-tratos. A perícia identificou sinais de uma infecção óssea grave e crônica na região da mandíbula, quadro que, segundo o MPSC, foi o mais compatível com a morte do cão, submetido à eutanásia. Cão Orelha: laudo após exumação não identifica lesões na cabeça, mas morte por trauma não é descartada O cão Caramelo Além do cão Orelha, outros animais comunitários, como Pretinha e Caramelo, viviam na região há cerca de dez anos. Após o caso, Caramelo foi adotado, enquanto Pretinha morreu cerca de um mês depois. Em relação ao Caramelo, o Ministério Público apontou contradições na condução inicial do caso, especialmente na separação posterior entre os suspeitos ligados à morte de Orelha e aqueles associados ao suposto afogamento do Caramelo. Grupo teria tentado afogar cachorro Caramelo, companheiro de Orelha Redes sociais/ Reprodução Segundo o órgão, as provas mostram que não houve prática de ato infracional equivalente a maus-tratos. Conforme a Polícia Civil, os jovens apenas brincavam com o cão na praia, sem qualquer tentativa de afogá-lo no mar. "Também em relação ao animal que teria sido supostamente “arremessado” para dentro de um condomínio, a hipótese foi afastada pelas próprias imagens que comprovaram que os adolescentes sequer tocaram no animal, apenas o induziram a entrar e depois, sendo ele, colocado para fora pela equipe de segurança", informou o órgão. LEIA MAIS: De 'provas de embrulhar o estômago' à ausência de culpados: as contradições que levaram ao arquivamento do caso Cão Orelha Cão Orelha: morte de cão comunitário repercute na imprensa internacional O que diz a Polícia Civil? Confira abaixo a nota da Polícia Civil: A Polícia Civil de Santa Catarina informa que concluiu as investigações relacionadas ao caso e realizou, oportunamente, a divulgação oficial das medidas adotadas no âmbito do inquérito policial. Após a conclusão do procedimento, os autos foram encaminhados ao Ministério Público de Santa Catarina, órgão constitucionalmente responsável por eventual oferecimento de denúncia ou arquivamento. A Polícia Civil de Santa Catarina e o Ministério Público de Santa Catarina atuam de forma independente, dentro das atribuições previstas na legislação. Assim, eventuais manifestações sobre a decisão de arquivamento do caso competem exclusivamente ao Ministério Público. VÍDEOS: mais assistidos do g1 SC nos últimos 7 dias