Justiça solta paciente preso por exigir ser atendido por médico 'brasileiro, branco e cristão' em SC
Paciente é preso por racismo e injúria racial após ofender médico na UPA de Caçador, SC O paciente de 47 anos que foi preso em flagrante por racismo e injÃ...
Paciente é preso por racismo e injúria racial após ofender médico na UPA de Caçador, SC O paciente de 47 anos que foi preso em flagrante por racismo e injúria racial após ofender um médico da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Caçador (SC), vai responder em liberdade. Na audiência de custódia, a Justiça decidiu por soltá-lo com medidas cautelares. O nome dele não foi divulgado pelas autoridades. Os crimes ocorreram na noite de sábado (1º) na cidade do Meio-Oeste, durante uma consulta com um médico venezuelano e judeu. A PolÃcia Militar detalhou que o paciente, além de ofender o profissional, declarou que queria ser atendido por um "brasileiro, branco e cristão". ✅Clique e siga o canal do g1 SC no WhatsApp Os argumentos usados pela Justiça para decidir pela liberdade provisória do paciente não foram divulgados. Ele precisará cumprir as seguintes medidas cautelares, sob pena de ter a prisão preventiva decretada: não sair de Caçador por mais de oito dias; precisa comparecer a todos os atos do processo; precisar comparar em juÃzo a cada 30 dias para justificar as próprias atividades. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) informou que analisa se vai denunciar o paciente. A Prefeitura de Caçador publicou uma nota de repúdio prestando solidariedade ao servidor alvo das ofensas (leia a nota completa no final da reportagem). LEIA TAMBÉM: Irmãos de 7 e 14 anos morrem atropelados enquanto tentavam atravessar a BR-470 FOTOS: como era para ser e como está empreendimento de luxo que virou 'pesadelo' em Florianópolis SC tem alvos em operação contra suspeitos de planejar ataque em BrasÃlia durante as eleições UPA de Caçador Prefeitura de Caçador/Divulgação Paciente ofendeu nacionalidade e religião do médico O médico alvo das ofensas, Alberto José Rodrigues, conversou com a NSC TV. Ele relatou que o paciente chegou à UPA com pressão alta. Durante a consulta, de imediato, esse paciente já questionou por que o médico usava um quipá, um chapéu usado pelos judeus. O profissional explicou o por que do uso e disse que era venezuelano. A partir daÃ, o paciente demonstrou descontentamento em ser atendido por um estrangeiro e começou a fazer declarações discriminatórias contra o médico, dizendo inclusive que gostaria de ser atendido por um profissional "brasileiro, branco e cristão". As ofensas também foram presenciadas por uma aluna de medicina que estava na sala, realizando um estágio. A estudante interviu, retirou o médico da sala enquanto o paciente continuava fazendo as ofensas. Depois, a PolÃcia Militar foi chamada. Aos agentes, o paciente, no entanto, negou ter feito declarações discriminatórias e disse que apenas questionou a religião do médico. Diante das versões, a PM encaminhou ambos para a delegacia. No entanto, a corporação relatou que o paciente, durante o trajeto, fez ofensas relacionadas à religião do médico, reforçando os indÃcios de crime. O delegado Diogo Galvão, que fez o flagrante, informou que o paciente foi preso em flagrante por dois crimes: injúria racial - pelas ofensas em razão da religião do médico racismo - pelas ofensas relacionadas à nacionalidade do médico O que diz a prefeitura Confira abaixo a nota de repúdio da prefeitura. A Prefeitura de Caçador manifesta seu mais absoluto repúdio a qualquer ato de racismo, discriminação ou preconceito, reafirmando seu compromisso inegociável com o respeito à dignidade humana, à igualdade e aos direitos de todos os cidadãos. Diante do episódio registrado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), a Administração Municipal presta total apoio e solidariedade ao servidor vÃtima das ofensas, estendendo esse reconhecimento a todos os profissionais que diariamente exercem suas funções com ética, dedicação e respeito à população. A Prefeitura reforça que o racismo é crime, conforme prevê a legislação brasileira, e não será tolerado em nenhuma unidade pública ou em qualquer ambiente da Administração Municipal. Toda manifestação dessa natureza será tratada com o máximo rigor, sendo adotadas todas as providências administrativas e legais cabÃveis. O caso foi imediatamente encaminhado à PolÃcia Civil, responsável pela condução da investigação e pela adoção das medidas previstas em lei. A Prefeitura de Caçador reafirma seu compromisso com a construção de um serviço público pautado pelo respeito, pela inclusão e pela valorização das pessoas, assegurando um ambiente seguro, acolhedor e livre de qualquer forma de discriminação para servidores e cidadãos.